quarta-feira, 16 de abril de 2014

Traição e Prisão de Jesus




    Nenhum traço de Seus recentes sofrimentos podiam ser notados quando o Salvador Se adiantou para encontrar Seu traidor. Colocando-se adiante dos discípulos, perguntou à turba: 

    "A quem buscais? 

    Responderam-lhe: A Jesus, o Nazareno. Então, Jesus lhes disse: Sou Eu." João 18:4 e 5. 
    Ao dizer essas palavras, o anjo que há pouco O servira, colocou-se entre Ele e a multidão. Uma luz divina iluminou Seu rosto e uma forma de pomba pairava sobre Si. A turba assassina não pôde suportar por um momento sequer a luz da presença divina. Recuaram cambaleantes e sacerdotes, anciãos e soldados caíram por terra, sem sentidos. 

    O anjo retirou-se e a luz se apagou. Jesus poderia ter escapado, mas permaneceu ali, calmo e com perfeito domínio de Si mesmo enquanto os discípulos estavam assustados demais para dizer uma só palavra. 

    Os soldados romanos logo se recobraram, levantando-se e junto com os sacerdotes e Judas rodearam Jesus. Pareciam envergonhados de sua fraqueza e temerosos de que Ele pudesse fugir. O Salvador pergunta-lhes mais uma vez:

    "A quem buscais? Responderam-lhe: A Jesus, o Nazareno. Então, lhes disse Jesus: Já vos declarei que sou Eu; se é a Mim, pois, que buscais, deixai ir estes." João 18:7 e 8. 

    Nessa hora de provação, os pensamentos de Cristo voltaram-se para os Seus amados discípulos. Não queria que sofressem, ainda que tivesse que enfrentar a prisão e a morte. 

  O Beijo da Traição 

    Judas, o traidor, não se esqueceu da parte que tinha a desempenhar. Aproximou-se e O beijou. Disse-lhe Jesus: "Amigo, para que vieste?" Matheus 26:50. E com voz trêmula acrescentou: "Judas, com um beijo trais o Filho do Homem?" Lucas 22:48. 

    Essas amáveis palavras deveriam comover o coração de Judas, mas parece que todo o sentimento de ternura e dignidade haviam-no abandonado. Agora estava sob o domínio de Satanás. Colocou-se com arrogância ao lado de Jesus e não se envergonhou de entregá-Lo à turba cruel. 

    Cristo não recusou o beijo do traidor. Nisso, Ele nos deu exemplo de tolerância, amor e simpatia. Se somos Seus discípulos, devemos tratar nossos inimigos como Ele tratou Judas. 

    A multidão homicida tornou-se mais ousada quando viu o traidor tocar o Ser que há pouco havia sido iluminado com a luz celeste diante de seus olhos. Em seguida, prenderam-No e ataram Suas mãos que sempre se ocuparam em fazer o bem. 
    Os discípulos não acreditavam que Jesus consentiria em ser preso. Tinham certeza de que o poder    que havia lançado a turba por terra era suficiente para livrar o Mestre e Seus companheiros. Ficaram desapontados e indignados quando viram as mãos de Seu amado Mestre serem amarradas. Furioso, Pedro arrancou da espada e brandindo-a cortou a orelha do servo do sacerdote. 

    Jesus, vendo o que Pedro fizera, soltou as mãos firmemente amarradas pelos soldados romanos e disse: "Deixai, basta." Lucas 22:51. Tocou então a orelha ferida que sarou no mesmo instante. 

    Disse então a Pedro: "Embainha a tua espada; pois todos os que lançam mão da espada, à espada perecerão. Acaso, pensas que não posso rogar a Meu Pai, e Ele Me mandaria neste momento mais de doze legiões de anjos? Como, pois, se cumpririam as Escrituras, segundo as quais assim deve suceder?" Matheus 26:52-54. "Não beberei, porventura, o cálice que o Pai Me deu?" João 18:11. 

    Voltando-se então para os sacerdotes e capitães do templo que se encontravam na multidão, disse-lhes: "Saístes com espadas e porretes para prender-me, como a um salteador? Todos os dias Eu estava convosco no templo, ensinando, e não me prendestes; contudo, é para que se cumpram as Escrituras." Marcos 14:48 e 49. 

    Quando os discípulos viram que o Salvador não fazia nenhum esforço para se livrar de Seus inimigos, culparam-No por isso. Não podiam compreender Sua rendição àquela turba e aterrorizados, abandonaram-No e fugiram. 

    Cristo havia predito a cena do abandono quando disse: 
"Eis que vem a hora e já é chegada, em que sereis dispersos, cada um para sua casa, e Me deixareis só; contudo, não estou só, porque o Pai está comigo." João 16:32. 

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