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terça-feira, 31 de maio de 2016

29 ( No Deserto da Tentação) Desenvolvimento do Caráter



Temos aqui um caráter a formar. Deus nos testará e nos provará, colocando-nos em posições nas quais possamos desenvolver a mais persistente força, pureza e nobreza de alma, com perfeita paciência de nossa parte, e inteira confiança no Salvador crucificado. Encontraremos reveses, aflições e provas severas, mas isto são provações de Deus. Ele Se assentará como refinador e purificador de prata e purgará Seu povo como ouro e prata, para que possa oferecer ao Senhor uma oferta de justiça.
A cruz de Cristo está toda coberta de vergonha e estigma, contudo é a esperança de vida e exaltação do homem. Ninguém pode compreender o mistério da piedade enquanto se envergonha de suportar a cruz de Cristo. Ninguém estará habilitado a discernir e apreciar as bênçãos que Cristo comprou para o homem, ao preço infinito de Si mesmo, a menos que esteja disposto a sacrificar alegremente os tesouros terrestres, a fim de tornar-se Seu seguidor. Cada renúncia própria e sacrifício feito por Cristo enriquece o doador, e todo sofrimento e opróbrio suportado por Seu querido nome aumentará o regozijo final e a recompensa imortal no reino da glória.


segunda-feira, 30 de maio de 2016

28 ( No Deserto da Tentação) Espiritismo - Parte Final


Deus, em Sua Palavra, colocou o Seu selo [de condenação] sobre as heresias do espiritualismo, como colocou a marca sobre Caim. Os piedosos não precisam ser enganados se são estudantes das Escrituras e obedientes, ao seguir o caminho claramente indicado a eles na Palavra de Deus.
O espiritualismo, presumido, reivindica grande liberdade e em linguagem macia e florida procura fascinar e enganar a humanidade desprevenida a fim de que escolham a estrada larga do prazer e da condescendência pecaminosa, em vez do caminho estreito e reto. Os espiritualistas denominam os requisitos de Deus de lei de servidão e dizem que aqueles que lhes obedecem vivem uma vida de medo escravizador. Com palavras suaves e discursos bonitos ostentam sua liberdade e procuram cobrir suas heresias perigosas com as vestimentas da justiça. Fazem com que os mais revoltantes crimes sejam considerados como bênçãos para a humanidade.
Abrem diante do pecador uma porta larga a fim de incitar o coração carnal a violar a lei de Deus - especialmente o sétimo mandamento. Aqueles que falam estas grandes palavras bombásticas de ostentação, que triunfam na liberdade de seus pecados, prometem àqueles a quem ludibriam o prazer da liberdade no curso da rebelião contra a vontade revelada de Deus. Essas pessoas enganadas se colocam sob a mais variada escravidão de Satanás e são controladas pelo seu poder; contudo, prometem liberdade àqueles que ousam seguir o mesmo curso de pecado que eles mesmos escolheram.
As Escrituras são de fato cumpridas neste ponto de um cego guiando outro cego. Aquele que os vence os reduz à escravidão. Essas pessoas enganadas estão debaixo da mais vil escravidão, à vontade dos demônios. Aliaram-se aos poderes das trevas e não têm força para reagir. Essa é a sua arrogante liberdade. Por meio de Satanás são vencidos e postos sob servidão e aqueles a quem prometem grande liberdade são enganados e se tornam escravos desesperançados do pecado e de Satanás.
Não devemos assistir às suas reuniões e muito menos nossos pastores devem entrar em controvérsia com eles. Pertencem àquela classe específica, a qual não devemos convidar para nossa casa nem saudá-los. Temos de comparar os seus ensinos com a vontade revelada de Deus. Não nos devemos empenhar em examinar o Espiritismo. Deus já descobriu isso por nós e nos diz definitivamente que é uma classe que se levantará nos últimos dias, negando a Cristo, que os comprou com o Seu sangue. O caráter dos espíritas é descrito tão plenamente que não precisamos ser enganados por eles. Se obedecemos à prescrição divina, não deveremos ter simpatia pelos espíritas apesar de suas palavras suaves e favoráveis.
O amado João continua sua admoestação contra os sedutores: "Quem é o mentiroso, senão aquele que nega que Jesus é o Cristo? É o anticristo esse mesmo que nega o Pai e o Filho. Qualquer que nega o Filho também não tem o Pai; e aquele que confessa o Filho tem também o Pai." I João 2:22 e 23.
Paulo, em sua Segunda Epístola aos Tessalonicenses, exorta a estarmos alerta e não nos afastarmos da fé. Ele está falando da vinda de Cristo como um evento que ocorrerá imediatamente após o trabalho de Satanás por intermédio do Espiritismo, nas seguintes palavras: "Ora, o aparecimento do iníquo é segundo a eficácia de Satanás, com todo poder, e sinais, e prodígios da mentira, e com todo engano de injustiça aos que perecem, porque não acolheram o amor da verdade para serem salvos. É por este motivo, pois, que Deus lhes manda a operação do erro, para darem crédito à mentira, a fim de serem julgados todos quantos não deram crédito à verdade; antes, pelo contrário, deleitaram-se com a injustiça." II Tessalonicenses 2:9-12.
Na Epístola de Paulo a Timóteo ele prediz o que se manifestará nos últimos dias. E esta admoestação foi dada em benefício daqueles que viverão quando estas coisas estiverem acontecendo. Deus revelou ao Seu servo os perigos da igreja nos últimos dias. Ele escreve: "Mas o Espírito expressamente diz que, nos últimos tempos, apostatarão alguns da fé, dando ouvidos a espíritos enganadores e a doutrinas de demônios, pela hipocrisia de homens que falam mentiras, tendo cauterizada a sua própria consciência." I Timóteo 4:1 e 2.
O fiel Pedro fala dos perigos aos quais a Igreja Cristã seria exposta nos últimos dias, e descreve pormenorizadamente as heresias que se levantariam e os sedutores blasfemos que procurariam atrair as pessoas para eles. "E também houve entre o povo falsos profetas, como entre vós haverá também falsos doutores, que introduzirão encobertamente heresias de perdição e negarão o Senhor que os resgatou, trazendo sobre si mesmos repentina perdição. E muitos seguirão as suas dissoluções, pelos quais será blasfemado o caminho da verdade." II Pedro 2:1 e 2.
Aqui Deus providenciou para nós as provas dessa classe mencionada. Eles recusaram o conhecimento de Cristo como Filho de Deus e não têm mais reverência pelo Pai eterno, do que por Seu Filho, Jesus Cristo. Não têm o Filho nem o Pai. E como seu grande líder, o chefe dos rebeldes, estão em rebelião contra a lei de Deus e menosprezam o sangue de Cristo.
Podemos regozijar-nos em todas as condições da vida e triunfar sob qualquer circunstância, porque o Filho de Deus desceu do Céu e Se submeteu a arcar com as nossas enfermidades e a suportar o sacrifício e a morte a fim de dar-nos a vida imortal. Levará para sempre as marcas de Sua humilhação terrestre em favor do homem. Enquanto a multidão de redimidos e de anjos imaculados vão honrá-Lo e adorá-Lo, Ele levará as marcas de alguém que foi morto. Quanto mais plenamente apreciamos o sacrifício infinito feito em nosso favor pelo Salvador, para expiação do pecado, mais nos aproximamos da harmonia com o Céu.



sábado, 28 de maio de 2016

28 ( No Deserto da Tentação) Espiritismo - Primeira Parte



Os espiritualistas tornam muito atraente o caminho para o inferno. Espíritos das trevas são por estes ensinamentos mentirosos, vestidos com o manto puro do Céu, e têm o poder de enganar aqueles que não estão fortalecidos na verdade bíblica.
Vã filosofia é empregada para representar o caminho do inferno como sendo seguro. Com a imaginação altamente formada e vozes musicalmente harmoniosas apresentam o caminho largo como uma felicidade e glória. A ambição toma conta dessas pessoas iludidas e assim como Satanás se apresentou a Eva, apresenta-lhes a liberdade e a felicidade como jamais conceberam que fosse possível. São aplaudidos os homens que viajam pelo caminho largo do inferno, e após a morte são exaltados às mais altas posições no mundo eterno.
Satanás, vestido em seu manto resplandecente, aparecendo como um exaltado anjo, tentou o Redentor do mundo, mas sem êxito. Quando, porém, aparece ao homem vestido como anjo de luz, tem mais êxito. Ocultando os seus terríveis propósitos, torna-se bem-sucedido em iludir os desprevenidos que não estão firmemente ancorados na verdade eterna.

Riqueza, poder, genialidade, eloqüência, orgulho, razão pervertida e paixão são agentes de Satanás para fazer a sua obra de tornar atraente a estrada larga, coberta de flores tentadoras. Mas toda palavra que eles falarem contra o Redentor do mundo, recairão sobre eles e um dia serão queimados com sua alma culpada, como chumbo derretido. Serão dominados de terror e vergonha ao verem o exaltado Senhor vindo sobre as nuvens do Céu com poder e grande glória. Então o arrogante desafiador que se levantou contra o Filho de Deus se verá a si mesmo na verdadeira escuridão de seu caráter. A vista da indizível glória do Filho de Deus será intensamente dolorosa para aqueles cujo caráter está manchado pelo pecado. A pura luz e glória que procedem de Cristo despertarão remorso, vergonha e terror. Enviarão lamentações de angústia às rochas e montanhas: "Caí sobre nós e escondei-nos do rosto dAquele que está assentado sobre o trono e da ira do Cordeiro, porque é vindo o grande dia da Sua ira; e quem poderá subsistir?" Apocalipse 6:16 e 17.
Espiritualistas afirmam ter luz e poder superiores. Abriram a porta e convidaram o príncipe das trevas a entrar, tornando-o seu hóspede de honra. Aliaram-se aos poderes das trevas que se estão desenvolvendo nestes últimos dias em sinais e maravilhas que, fosse possível, enganariam até os escolhidos. Os espíritas dizem que podem fazer maiores milagres do que fez Cristo. Foi esta a ostentação de Satanás diante de Cristo. Pelo fato de o Filho de Deus tomar sobre Si a fraqueza humana e ser tentado em todos os pontos como deve ser tentado o homem, Satanás exultou e escarneceu dele. Blasonava sua superioridade e O desafiava a uma controvérsia aberta.
Os espíritas estão aumentando em número. Aproximam-se das pessoas que têm a verdade, como Satanás veio a Cristo, tentando-as a manifestar o seu poder, a fazer milagres e a dar evidências de que são seres favorecidos por Deus, e um povo que tem a verdade. Satanás disse a Cristo: "Se Tu és o Filho de Deus, manda que estas pedras se tornem em pães." Matheus 4:3. Herodes e Pilatos pediram a Cristo que operasse milagres, quando esteve em julgamento perante eles. Sua curiosidade estava viva, mas Cristo não operou nenhum milagre para satisfazê-la.
Os espíritas irão pressionar a questão a fim de entrar em controvérsia com os pastores que ensinam a verdade. Se declinarem serão desafiados. Citam as Escrituras como fez Satanás em relação a Cristo: "Examinai tudo" (I Tessalonicenses 5:21) dizem eles. Mas a sua idéia de examinar tem a finalidade de induzir as pessoas a ouvir suas apresentações enganosas e assistir às suas reuniões. Todavia, em suas reuniões os anjos das trevas assumem a forma de amigos mortos e se comunicam com eles, como anjos de luz.
Os seus amados aparecerão em mantos de luz, tão familiares à vista como quando estiveram na Terra. Ensiná-los-ão e conversarão com eles. E muitos serão enganados por esta maravilhosa apresentação do poder de Satanás. A única segurança para o povo de Deus é estar completamente familiarizado com a Bíblia e conhecer os ensinamentos de nossa fé concernentes aos que dormem na morte.
Satanás é um astucioso inimigo. Não é difícil para os anjos do mal representar tanto os santos como os pecadores que já morreram e tornar visíveis estas representações aos olhos humanos. Estas manifestações serão mais freqüentes, e o seu incremento de caráter mais assustador, ao aproximar-se mais o fim dos tempos. Não precisamos ficar atônitos diante de nenhuma forma de engano, que fascina os descuidados e enganaria, se possível, todos os escolhidos. Os espíritas citam: "Examinai tudo." I Tessalonicenses 5:21. Mas Deus tem, para o benefício de Seu povo que vive no meio dos perigos dos últimos dias, examinado esta classe e dado o resultado do Seu julgamento.
"Ora, o aparecimento do iníquo é segundo a eficácia de Satanás, com todo poder, e sinais, e prodígios da mentira, e com todo engano de injustiça aos que perecem, porque não acolheram o amor da verdade para serem salvos. É por este motivo, pois, que Deus lhes manda a operação do erro, para darem crédito à mentira, a fim de serem julgados todos quantos não deram crédito à verdade; antes, pelo contrário, deleitaram-se com a injustiça." II Tessalonicensses 2:9-12.
João, na Ilha de Patmos, viu as coisas que deveriam ocorrer na Terra nos últimos dias. "Também opera grandes sinais, de maneira que até fogo do céu faz descer à Terra, diante dos homens." Apocalipse 13:13. "Porque são espíritos de demônios, que fazem prodígios; os quais vão ao encontro dos reis de todo o mundo para os congregar para a batalha, naquele grande dia do Deus Todo-poderoso." Apocalipse 16:14.
O apóstolo Pedro aponta distintamente a classe que será manifestada nestes últimos dias.
"Principalmente aqueles que segundo a carne andam em concupiscências de imundícia e desprezam as dominações. Atrevidos, obstinados, não receiam blasfemar das autoridades; enquanto os anjos, sendo maiores em força e poder, não pronunciam contra eles juízo blasfemo diante do Senhor. Mas estes, como animais irracionais, que seguem a natureza, feitos para serem presos e mortos, blasfemando do que não entendem, perecerão na sua corrupção, recebendo o galardão da injustiça; pois que tais homens têm prazer nos deleites cotidianos; nódoas são eles e máculas, deleitando-se em seus enganos, quando se banqueteiam convosco; tendo os olhos cheios de adultério e não cessando de pecar, engodando as almas inconstantes, tendo o coração exercitado na avareza, filhos de maldição." II Pedro 2:10-14.

sexta-feira, 27 de maio de 2016

27 ( No Deserto da Tentação) Imprudência Presunçosa e Fé Inteligente



Há muitos que deixam de distinguir entre uma imprudência presunçosa e uma inteligente confiança de fé. Satanás pensou que por meio de suas tentações poderia ludibriar o Redentor do mundo, levando-O a uma façanha heróica a fim de manifestar o Seu divino poder causando sensação e surpreendendo a todos por meio de uma apresentação do maravilhoso poder de Seu Pai para preservá-Lo do dano. Ele sugeriu que Cristo deveria aparecer em Seu verdadeiro caráter e por meio de uma obra-prima de poder, estabelecer o Seu direito à fé e confiança do povo, se na verdade Ele era o Salvador do mundo. Se Cristo tivesse sido enganado pelas tentações de Satanás e exercido Seu poder miraculoso para aliviá-Lo da dificuldade, teria quebrado o acordo feito com Seu Pai, de ser um réu em favor da humanidade.
Era uma difícil tarefa para o Príncipe da Vida executar o plano que havia iniciado para a salvação do homem, revestindo Sua divindade com a humanidade. Ele tinha recebido honra nas cortes celestiais e estava familiarizado com o poder absoluto.
Era tão difícil para Ele conservar-Se ao nível da humanidade como era para o homem levantar-se acima do seu nível de natureza depravada, e ser participante da natureza divina.
Cristo foi colocado em terrível teste que requeria a força de todas as Suas faculdades, a fim de resistir à inclinação, quando estivesse em perigo de usar o Seu poder para livrar-Se do perigo e triunfar sobre o poder do príncipe das trevas. Satanás mostrou seu conhecimento dos pontos fracos do coração humano e concentrou todo o poder para tirar vantagem da fraqueza e humanidade que Cristo assumiu, a fim de vencer suas tentações para crédito do homem.
Deus deu ao homem promessas preciosas sob condição de fé e obediência; estas, porém, não devem sustentá-lo em nenhuma ação precipitada. Se o homem desnecessariamente colocar-se no lugar do perigo, e for aonde Deus não quer que ele vá, expondo-se confiadamente ao perigo, contrariando os avisos da razão, Deus não fará nenhum milagre para libertá-lo. Não enviará Seus anjos para livrar a ninguém de ser queimado se escolhe colocar-se no fogo.
Adão não foi enganado pela serpente como aconteceu com Eva e era indesculpável se transgredisse imprudentemente o positivo mandamento de Deus. Adão tornou-se presunçoso porque sua esposa pecou. Não podia ver o que aconteceria a Eva. Estava triste, confuso e tentado. Ouviu de Eva o recital das palavras da serpente e sua firmeza e integridade começaram a vacilar.
   
Dúvidas surgiram em sua mente a respeito de Deus, indagando se Ele realmente faria o que havia dito. Imprudentemente comeu o fruto tentador.

quinta-feira, 26 de maio de 2016

26 (No Deserto da Tentação) Fogo Estranho


Nadabe e Abiú, filhos de Arão, que ministravam no santo ofício sacerdotal, tomaram livremente do vinho e como de costume foram ministrar diante do Senhor. Os sacerdotes que queimavam incenso diante do Senhor deveriam fazer uso do fogo que Deus acendera, o qual ardia de dia e de noite, sem que nunca se extinguisse. Deus dera orientações explícitas sobre como deveria ser desempenhada cada parte do Seu serviço, sendo que tudo estava relacionado com o Seu culto sagrado, devendo tudo ser feito de acordo com a santidade do Seu caráter. Qualquer desvio da orientação expressa de Deus, relacionada com o Seu serviço, seria punido com a morte.
Nenhum sacrifício seria aceito por Deus se não fosse salgado ou temperado com o fogo divino, o qual representa a comunicação entre Deus e o homem, que foi aberta unicamente através de Cristo. O fogo sagrado que era colocado sobre o incenso ardia perpetuamente. Enquanto o povo de Deus estava do lado de fora, em fervorosas orações, o incenso aceso pelo fogo sagrado ascendia diante de Deus, misturado com suas orações. Este incenso era emblema da mediação de Cristo.
Os filhos de Arão tomaram fogo comum, o qual Deus não aceitava, e insultaram ao infinito Deus, apresentando fogo estranho diante dele. Deus os consumiu com fogo, por causa do desrespeito à Sua expressa orientação. Tudo que faziam era como a oferta de Caim. O divino Salvador não estava representado.
Se esses filhos de Arão tivessem um domínio claro de suas faculdades mentais, teriam discernido a diferença entre o fogo sagrado e o profano. A satisfação do apetite lhes aviltou as faculdades e ficaram com a mente obscurecida de tal maneira que não puderam ter discernimento. Compreendiam muito bem o caráter sagrado do cerimonial típico e da venerável solenidade e responsabilidade que deveriam assumir ao se apresentarem diante de Deus para ministrar o serviço sagrado.
Alguns poderão perguntar: Como podem os filhos de Arão ser responsabilizados, sendo que sua mente estava tão paralisada pela intoxicação, que eles não estavam aptos para discernir a diferença entre o fogo sagrado e o comum? Quando levaram o copo aos lábios, tornaram-se responsáveis por todos os atos cometidos enquanto estavam sob a influência do vinho. A condescendência com o apetite custou a vida àqueles sacerdotes. Deus proíbe expressamente o uso do vinho, que tem influência para rebaixar o intelecto.
"E falou o Senhor a Arão, dizendo: Vinho ou bebida forte tu e teus filhos contigo não bebereis, quando entrardes na tenda da congregação, para que não morrais; estatuto perpétuo será isso entre as vossas gerações, para fazer diferença entre o santo e o profano e entre o imundo e o limpo, e para ensinar aos filhos de Israel todos os estatutos que o Senhor lhes tem falado pela mão de Moisés." Levíticos 10:8-11.
A proibição especial de Deus aos hebreus com  referência ao uso de bebidas intoxicantes, deveria ser considerada nesta dispensação. Muitos, porém, que estão em alta posição de responsabilidade em nosso país, em muitos casos acham-se escravizados pelas bebidas alcoólicas e pelo fumo.
Jurados em nossas cortes, cujo veredicto decide pela culpa ou inocência de seus semelhantes, muitos deles são consumidores de bebidas alcoólicas e estão inebriados pelo fumo. Enquanto se acham sob esta influência que obscurece o intelecto e deprecia a alma, dão o seu veredicto sobre a liberdade e a vida de seus semelhantes.
Os julgamentos pervertidos em muitos casos claros de punição, dos maiores criminosos, conforme requer a segurança da sociedade deveriam receber a penalidade total da lei que violaram.
Os homens que estão legislando e os que executam as leis do nosso governo enquanto violam as leis do seu ser em apetites desordenados que entorpecem e paralisam o intelecto, não estão em condições de decidir o destino dos seus semelhantes. Os que sentem a necessidade de conservar a alma, o corpo e o espírito em conformidade com a lei natural, com o objetivo de preservar o equilíbrio de suas faculdades mentais só estes estão em condições de decidir questões importantes consoante à execução da lei de nossa terra. Esse era o pensamento de Deus ao decretar aos hebreus que o vinho não deveria ser usado por aqueles que ministravam o santo ofício.
Aqui temos as claríssimas orientações de Deus e Suas razões para proibir o uso do vinho: que o seu poder de discriminação e discernimento deveria ser claro e inconfundível; que o seu juízo deveria ser correto e sempre apto a discernir entre o puro e o imundo. É dado outro motivo de grande importância para que eles se abstivessem também de qualquer coisa que pudesse intoxicar. Isto requeria o uso perfeito de uma razão lúcida para apresentar aos filhos de Israel todos os estatutos que Deus lhes ordenara.
Qualquer alimento ou bebida que desqualifique as faculdades mentais para um viver saudável e ativo exercício é um pecado agravante à vista de Deus. Especialmente é este o caso daqueles que ministram as coisas sagradas e que deveriam em todo tempo ser exemplos para o povo e estar em condições de instruí-los.
Embora tenham diante de si este impressionante exemplo, alguns professos cristãos profanam a casa de Deus com a respiração poluída pela fumaça do fumo e pela bebida alcoólica. Às vezes, as escarradeiras estão cheias de saliva expelida e de pedaços de fumo. A exalação provinda constantemente destes receptáculos poluem a atmosfera. Homens que professam ser cristãos ajoelham-se para adorar a Deus e se atrevem a dirigir-Lhe oração com os lábios manchados pelo fumo, enquanto seus nervos, meio paralisados, tremem pelo uso exaustivo deste poderoso narcótico. Essa é a devoção que oferecem a um Deus santo, que odeia o pecado. Pastores em sua sagrada posição, com a boca e os lábios contaminados, atrevem-se a tomar a sagrada Palavra de Deus em seus poluídos lábios.
Pensam que Deus não percebe sua pecaminosa condescendência. "Visto como se não executa logo o juízo sobre a má obra, por isso o coração dos filhos dos homens está inteiramente disposto para praticar o mal." Eclesiastes 8:11. Deus não aceitará um sacrifício das mãos daqueles que assim poluem a si mesmos, oferecendo um incenso de fumo e de bebidas alcoólicas; caso contrário teria aceito a oferta dos filhos de Arão que ofereceram incenso com fogo estranho.
Deus não mudou. Ele é agora tão minucioso e exato em Suas exigências, como foi nos dias de Moisés. Mas, nos santuários de adoração dos nossos dias, com cânticos de louvor, orações e ensino do púlpito, não existe meramente fogo estranho, mas positivo aviltamento. Ao invés de pregar a verdade com santa unção de Deus, ela é proferida muitas vezes sob a influência do fumo e do álcool. Realmente um fogo estranho! A verdade bíblica e a santidade da Bíblia são apresentadas ao povo; e orações são oferecidas a Deus, misturadas com o mau cheiro do fumo! Tal incenso é mais aceitável a Satanás! Que terrível engano é este! Que ofensa à vista de Deus! Que insulto Àquele que é santo e que habita na luz inacessível!
Se os professos cristãos tivessem as faculdades mentais num vigor saudável, discerniriam a inconsistência de tal culto. Com Nadabe e Abiú, suas sensibilidades acham-se tão embotadas que não fazem diferença entre o sagrado e o profano. Coisas santas e sagradas são trazidas ao baixo nível de seu hálito poluído pelo fumo, de seu cérebro amortecido e sua alma contaminada pela condescendência com o apetite e as paixões. Cristãos professos comem e bebem, fumam e mascam fumo, e tornam-se glutões e beberrões, satisfazendo o apetite e ainda falam em vencer como Cristo venceu!


segunda-feira, 23 de maio de 2016

25 (No Deserto da Tentação) Saúde e Felicidade - Parte Final



Que cenário de inigualável exemplo de sofrimento foi aquele jejum de quase seis semanas, enquanto Jesus estava sendo assaltado pelas mais terríveis tentações! Quão poucos podem compreender o amor de Deus pelo pecador, o qual não recusou que Seu divino Filho tomasse sobre Si a humilhação humana! Ele entregou Seu amado Filho à vergonha e agonia para que pudesse trazer filhos e filhas à glória.
Quando o homem pecador discernir o inexprimível amor de Deus em dar Seu Filho para morrer sobre a cruz, poderá compreender melhor a infinita vantagem de vencer como Cristo venceu. Compreenderemos que será uma eterna perda ganharmos todo o mundo, com todos os seus prazeres e glória, e contudo perdermos a alma. O Céu é muito barato, a qualquer custo.
Sobre as margens do Jordão a voz do Céu, acompanhada pela manifestação da excelente glória, proclamou que Cristo é o Filho do Eterno. Satanás estava prestes a encontrar-se pessoalmente com o Chefe do reino, que ele veio para vencer. Se falhasse, sabia que estava perdido. Portanto, o poder de suas tentações estava de acordo com a grandeza do objeto que ele ganharia ou perderia. Por quatro mil anos, desde a declaração feita a Adão de que a semente da mulher feriria a cabeça da serpente, ele tinha estado planejando sua maneira de ataque.
Lançou mão de todos os esforços para vencer no apetite a Cristo, que suportou as mais cruciantes dores da fome. A vitória ganha destinava-se não somente a ser um exemplo para os que caíssem sob o poder do apetite, mas para qualificar o Redentor na obra especial de alcançar as profundezas da tristeza humana. Pela experiência própria quanto à força das tentações de Satanás, os sofrimentos e enfermidades humanas, Ele saberia como socorrer aqueles que estariam dispostos a ajudar-se a si mesmos.
Nenhuma soma de dinheiro poderia comprar uma única vitória sobre as tentações de Satanás. Mas aquilo que o dinheiro não tem valor para obter, como integridade, esforço resoluto e poder moral, obteria através do nome de Cristo uma nobre vitória sobre o apetite. Que seria se o conflito custasse ao homem sua própria vida? Que seria se os escravos do vício realmente morressem na luta para salvar-se do poder controlador do apetite? Morreriam por uma boa causa. A vitória ganha à custa da vida humana, não representaria nada quando a vitória aparecer, na primeira ressurreição, e os vencedores receberem a recompensa.
Tudo, então, é ganho. Mas a vida não será sacrificada na luta para vencer apetites depravados. É certo que se não vencermos como Cristo venceu, não poderemos ter um assento com Ele no Seu trono. Aqueles que não obstante a luz e a verdade destroem a saúde mental, moral e física, induzidos por qualquer espécie de condescendência, perderão o Céu. Sacrificam aos ídolos as faculdades dadas por Deus. Deus merece e exige nossos mais altos pensamentos e sagradas afeições.
A um custo infinito Cristo, nosso Redentor, comprou todas as nossas faculdades e nossa própria existência e tudo o que há de bom na vida foi omprado para nós, ao preço de Seu sangue. Aceitaremos as bênçãos e nos esqueceremos das exigências do Doador? Pode qualquer de nós consentir em seguir as inclinações, a condescendência com os apetites e paixões, e viver sem Deus? Comeremos e beberemos como irracionais, e, à semelhança dos embotados animais não associaremos o pensamento com Deus, com tudo aquilo de bom que nos alegra?
Aqueles que fazem esforços decididos em nome do Conquistador para vencer a todo ardente desejo antinatural quanto ao apetite, não morrerão no conflito. Em seus esforços para controlar o apetite, colocam-se em relação correta com a vida, e podem assim regozijar-se na saúde e no favor de Deus, e terão direito à vida imortal.
Milhares estão continuamente vendendo o vigor físico, mental e moral pelo prazer do paladar. Todas as faculdades têm seu trabalho distinto; contudo, todas têm uma dependência mútua em relação à outra. Se o equilíbrio for cuidadosamente preservado, conservará uma ação harmoniosa. Nenhuma destas faculdades pode ser avaliada em dólares e centavos. Todavia, por um bom jantar, álcool ou fumo são vendidas. Enquanto está paralisada pela condescendência com o apetite, Satanás controla a mente e leva a toda sorte de crimes e impiedades. Deus tem prazer em preservar todas as nossas faculdades em sadio vigor, para que possamos ter um senso claro de Seus requisitos e tenhamos santidade perfeita no Seu temor.


domingo, 22 de maio de 2016

25 (No Deserto da Tentação) Saúde e Felicidade - Primeira Parte


Por que os homens não podem fazer estas coisas se a lei que as proíbem foi abolida? Nenhuma mensagem da Terra ou do Céu pode impressionar fortemente os intemperantes e licenciosos que estão iludidos com a teoria de que a lei dos Dez Mandamentos foi abolida. Muitos professos ministros de Cristo exortam o povo a uma vida de santidade, enquanto eles mesmos se submetem ao poder do apetite e da poluição do fumo. Estes ensinadores que estão liderando o povo no menosprezo da lei física e moral terão um relato pavoroso a enfrentar no futuro.
Saúde, verdade e felicidade não podem ser adquiridas sem um conhecimento inteligente, completa obediência à lei de Deus e perfeita fé em Jesus Cristo. O Senhor não tem nenhum outro meio para alcançar o coração humano. Muitos professos cristãos reconhecem que pelo uso do fumo estão condescendendo com um hábito dispendioso, prejudicial e nojento. Desculpam-se, porém, dizendo que é um hábito formado e que não podem vencê-lo. Ao reconhecer isto, estão prestando homenagem a Satanás, dizendo por suas ações, se não em palavras, que, ainda que Deus seja poderoso, Satanás tem grande poder. Por profissão eles dizem que são servos de Jesus Cristo ao passo que suas obras dizem que eles se submetem ao controle de Satanás, porque isto lhes é menos inconveniente. É isto vencer como Cristo fez? Ou é ser vencido pela tentação? A desculpa acima é instigada por pessoas que estão no ministério, que professam ser embaixadores de Cristo.
Muitas são as tentações e assaltos de todos os lados para arruinar as esperanças dos jovens, tanto no tocante a este mundo quanto para o por vir. Todavia, a única senda segura para o jovem e o idoso é viver em estrita conformidade com os princípios da lei física e moral. O caminho da obediência é o único que leva ao Céu. Os viciados no álcool e fumo, às vezes, dariam qualquer soma de dinheiro, se pudessem vencer o apetite pela condescendência que destrói o corpo e a alma. Aqueles que não subjugam os apetites e as paixões ao controle da razão, serão condescendentes às expensas das obrigações morais e físicas.
As vítimas de um apetite depravado, apegadas às contínuas tentações de Satanás, procurarão condescendência à custa da saúde e mesmo da vida, tendo de comparecer ao tribunal de Deus como suicidas. Muitos se permitiram ser dominados pelo hábito por tão longo tempo que se tornaram escravos do apetite. Não têm coragem moral para resignar-se e suportar o sofrimento por algum tempo através da restrição e negação do paladar, a fim de vencer o vício. Esta classe recusa vencer como fez o seu Redentor. Não suportou Cristo, no deserto, sofrimento físico e a angústia mental em favor do homem?
Muitos permitiram por tanto tempo que o apetite e o gosto controlassem a razão, que não têm poder moral para perseverar na resignação própria, e suportar por algum tempo, até que a natureza maltratada possa começar a trabalhar e estabelecer um sadio sistema de ação. Muitos que têm o gosto pervertido recuam ante o pensamento de restringir seu regime e continuam com as suas condescendências doentias. Não estão dispostos a vencer como fez seu Redentor.

24 (No Deserto da Tentação) Mais Que Uma Queda






Se a humanidade parasse de pecar quando Adão foi expulso do Éden, estaríamos hoje numa condição muito mais elevada física, mental e moralmente. Mas enquanto o homem deplora a queda de Adão, que resultou numa terrível desgraça, desobedece às exigências expressas de Deus, como fez Adão, embora tenha o seu exemplo para alertá-lo de agir como ele agiu na violação da lei de Jeová.
Oxalá o homem tivesse parado de cair com Adão! Mas tem sido uma sucessão de quedas. Os homens não se alertam com a experiência de Adão. Conduzirão o apetite e paixão na violação direta da lei de Deus e ao mesmo tempo continuarão a lastimar a transgressão de Adão, a qual trouxe o pecado ao mundo.
Desde os dias de Adão até aos nossos, tem havido uma sucessão de quedas, cada uma maior do que a outra, em toda espécie de crime. Deus não criou a humanidade tão destituída de saúde, beleza e poder moral como a que existe agora no mundo. Doenças de todas as espécies estão aumentando assustadoramente sobre a humanidade. Isso não tem acontecido por uma providência especial de Deus, mas diretamente contrário à Sua vontade. Isso surgiu devido à desconsideração do homem para com os meios que Deus ordenou a fim de protegê-lo dos terríveis males existentes. A obediência à lei de Deus em todos os aspectos salvará os homens da intemperança, licenciosidade e doença de todo tipo. Ninguém pode violar a lei natural sem sofrer a penalidade.
Pode o homem, por alguma soma de dinheiro, deliberadamente vender sua capacidade mental? Se alguém desse dinheiro para que o homem partilhasse seu intelecto, ele se voltaria com desgosto contra a proposta insana. Contudo, milhares estão dividindo a saúde do corpo, o vigor do intelecto e a elevação da alma por amor à satisfação do apetite. Ao invés de ganhar, experimentam somente perdas. Isto eles não percebem porque suas sensibilidades estão entorpecidas. Comercializaram as faculdades que receberam de Deus. E por quê? Resposta: Baixa sensualidade e vícios degradantes. Condescende-se com a satisfação da paixão a custo da saúde e do intelecto.
Cristo começou a obra de redenção precisamente onde se iniciou a ruína. Fez provisão para reintegrar o homem à pureza de Deus, se aceitasse a ajuda que lhe fosse oferecida. Por meio da fé no Seu nome todo-poderoso - o único nome dado debaixo do Céu para salvação - o homem poderia vencer o apetite e paixão. Por intermédio da obediência à lei de Deus a saúde tomaria o lugar das enfermidades e doenças destrutivas. Aqueles que hão de vencer seguirão o exemplo de Cristo, subjugando os apetites e paixões corporais sob o controle da razão e da consciência esclarecida.
Se os pastores que pregam o evangelho cumprissem o seu dever, e fossem igualmente exemplos para o rebanho de Deus, suas vozes levantar-se-iam como trombetas, mostrando ao povo suas transgressões e à casa de Israel os seus pecados. Pastores que exortam pecadores a se converter deveriam definir distintamente o que é pecado e o que é conversão do pecado. Pecado é transgressão da lei. O pecador convicto deve exercer arrependimento para com o Senhor, por causa da transgressão da Sua lei, e fé em nosso Senhor Jesus Cristo.
O apóstolo nos dá a verdadeira definição de pecado: "O pecado é a transgressão da lei." I João 3:4. Uma classe enorme de professos embaixadores de Cristo são iguais a guias cegos. Estão dirigindo o povo para fora do caminho de segurança ao apresentar as exigências e proibições da antiga lei de Jeová, como arbitrárias e severas. Dão permissão ao pecador para ultrapassar os limites da lei de Deus. Nisto são como o grande adversário, abrindo diante delas uma vida de liberdade em violação aos mandamentos de Deus. Com esta liberdade sem lei acabaram-se as bases da responsabilidade moral.
Aqueles que seguem a esses líderes cegos, fecham as avenidas da alma à recepção da verdade. Não permitem que a verdade com seus frutos úteis lhes afetem o coração. Grande número firma sua alma com preconceito contra novas verdades e também contra a claríssima luz que mostra a correta aplicação de antiga verdade, a lei de Deus, que é tão antiga quanto o mundo. O intemperante e licencioso tem prazer em afirmar freqüentemente que a lei dos Dez Mandamentos não é obrigatória nesta dispensação. Avareza, roubos, perjúrios e crimes de toda espécie são praticados sob o manto de cristianismo.






sexta-feira, 20 de maio de 2016

23 (No Deserto da Tentação) Condescendência Própria Disfarçada de Religião - Parte Final



"Porque que sociedade tem a justiça com a injustiça? E que comunhão tem a luz com as trevas? E que concórdia há entre Cristo e Belial? Ou que parte tem o fiel com o infiel? E que consenso tem o templo de Mas o apóstolo pergunta:
Deus com os ídolos? Porque vós sois o templo do Deus vivente, como Deus disse: Neles habitarei e entre eles andarei; e Eu serei o seu Deus, e eles serão o Meu povo. Pelo que saí do meio deles, e apartai-vos, diz o Senhor; e não toqueis nada imundo, e Eu vos receberei; e Eu serei para vós Pai, e vós sereis para Mim filhos e filhas, diz o Senhor Todo-poderoso." II Coríntios 6:14-18.
Quando estivermos aptos a compreender as tentações e vitórias do Filho de Deus, no severo conflito com Satanás, teremos uma idéia mais correta da grandeza da obra diante de nós, a fim de vencermos. Satanás sabia que, se falhasse, sua situação seria desesperadora. Se tivesse êxito e ganhasse a vitória sobre toda a humanidade, pensou, sua vida e reino seriam estabelecidos.
Nas reuniões caracteristicamente cristãs, Satanás lança suas vestes religiosas sobre os prazeres ilusórios e folguedos profanos, para dar-lhes a aparência de santidade, e a consciência de muitos é tranqüilizada porque meios levantados vão para custear as despesas da igreja. As pessoas recusam dar por amor de Cristo, mas por amor ao prazer e à condescendência com o apetite por motivos egoístas, estão prontas a gastar seu dinheiro.
É porque não há poder nas lições de Cristo sobre beneficência, no Seu exemplo, na graça de Deus sobre o coração para levar os homens a glorificar a Deus com seus recursos, que se tem de recorrer a tal método a fim de sustentar a igreja? O dano infligido à saúde física, mental e moral nestas cenas de divertimentos e glutonarias não é pequeno. O dia final do ajuste de contas mostrará as pessoas perdidas por causa da influência destas cenas de divertimentos e frivolidade.
É fato deplorável que considerações sagradas eternas não tenham poder para abrir o coração dos professos seguidores de Cristo, levando-os a dar ofertas voluntárias para o sustento do evangelho, devido à tentação de festividades e alegrias generalizadas. É uma triste realidade que estas instigações prevaleçam ao passo que as coisas sagradas e eternas não tenham força para influenciar o coração a participar da obra de beneficência.
O plano de Moisés no deserto a fim de levantar meios, foi muito bem-sucedido. Não houve nenhuma exigência compulsória. Moisés não fez grande festividade nem convidou o povo para um lugar de alegria, dança e divertimento em geral. Também não instituiu loterias ou alguma coisa profana a fim de obter recursos para construir o tabernáculo de Deus no deserto. Deus ordenou a Moisés que convidasse os filhos de Israel a trazer suas ofertas. Moisés aceitava as dádivas de cada pessoa que dava voluntariamente, de coração. Mas as ofertas voluntárias vieram em tão grande abundância que Moisés proclamou que já eram suficientes. Deviam cessar seus presentes, pois deram abundantemente, mais do que se poderia usar.
As tentações de Satanás são bem-sucedidas com os professos seguidores de Cristo, quanto à condescendência com o prazer e o apetite. Vestido como anjo de luz, ele citará as Escrituras para justificar as tentações que coloca diante dos homens para induzi-los ao apetite e prazeres mundanos que se adaptam ao coração carnal. Os seguidores professos de Cristo são fracos em poder moral e são fascinados pela sedução apresentada diante deles por Satanás, e assim ele ganha a vitória. Como olha Deus para as igrejas que são mantidas por estes meios? Cristo não pode aceitar essas ofertas, porque não são oferecidas por amor e devoção, mas são uma idolatria egoísta. Todavia, o que muitos não fazem por amor a Cristo, farão por amor a delicadas iguarias a fim de satisfazer ao apetite, e por amor aos divertimentos mundanos, com o fim de satisfazer ao coração carnal.
O conflito de Cristo com Satanás no deserto será considerado com sagrado interesse por todos os verdadeiros seguidores de Cristo. Deveríamos ter um sentimento de profunda gratidão ao nosso Redentor pelos ensinos do Seu exemplo sobre como resistir e vencer a Satanás. Jesus não buscou os lugares de alegrias e festividades para obter a vitória tão essencial à nossa salvação, mas Ele foi ao desolado deserto. Muitos nem mesmo contemplam essa cena do conflito de Cristo com o chefe caído. Não simpatizam com o seu Redentor. Alguns chegam a duvidar de que Ele realmente sentiu fome aguda na abstinência de alimento, durante o período de quarenta dias e quarenta noites.
Aquele que sofreu morte de cruz no Calvário certamente sofreu a mais cruciante fome, semelhante à Sua morte por nós. Tão logo começaram os sofrimentos da fome, Satanás estava pronto com suas tentações. Temos para combater um inimigo muito vigilante. Satanás adapta suas tentações às nossas circunstâncias. Em cada tentação ele apresentará alguma insinuação, alguma coisa na parentemente boa para se ganhar. Mas, em nome de Cristo podemos ter vitória, resistindo aos seus enganos.
Já se passaram mais de mil e oitocentos anos desde que Cristo andou na Terra como um Homem entre os homens. Encontrou abundantemente sofrimentos e misérias por todos os lados. Que humilhação por parte de Cristo, pois, apesar de subsistir em forma de Deus, tomou sobre Si a forma de servo. Era rico nos Céus, coroado de glória e honra, e por nossa causa Se tornou pobre. Que ato de condescendência do Senhor da vida e glória, a fim de levantar o homem caído!
Jesus não veio aos homens com ordens e ameaças, mas com amor sem paralelo. Amor gera amor; e assim o amor de Cristo, manifestado na cruz, procurou e ganhou o pecador, achegando-o, arrependido, à cruz, crendo e admirando as insondáveis profundidades do amor de Deus. Cristo veio ao mundo a fim de aperfeiçoar um caráter justo para muitos, e elevar a humanidade caída. Mas somente uns poucos dos milhões do nosso mundo aceitam a justiça e a excelência do Seu caráter e satisfarão os requisitos exigidos para assegurar sua felicidade.
Suas lições de instruções e Sua vida santa, se fossem seguidas, evitariam o fluxo da miséria física e moral que tanto tem contaminado a imagem moral de Deus no homem, que escassamente se assemelha ao nobre Adão, como era no Éden, na sua santa inocência. Cada proibição de Deus visa a saúde e eterno bem-estar do homem.
A obediência a todos os requisitos de Deus trará paz e felicidade isentas de vergonha ou reprovações da consciência.
Contudo, pouquíssimos dos cristãos do mundo estão seguindo seu Mestre através da humildade obediente, progredindo na santidade e perfeição de caráter cristão. A intemperança e a licenciosidade estão aumentando assustadoramente e sendo praticadas em grande parte sob o manto do cristianismo. Este deplorável estado de coisas não é porque os homens são obedientes à lei de Deus, mas porque seu coração se levanta em rebelião contra os Seus santos preceitos.
Arrependimento para com Deus, por termos transgredido Sua lei, e fé em Jesus Cristo, são os únicos meios pelos quais podemos ser elevados à pureza de vida e reconciliação com Deus. Fossem compreendidos plenamente todos os pecados que trouxeram a ira de Deus sobre cidades e nações, veríamos serem o resultado de apetites e paixões não controlados.


quinta-feira, 19 de maio de 2016

23 (No Deserto da Tentação) Condescendência Própria Disfarçada de Religião - Primeira Parte



Cristãos professos tomam parte em festividades e cenas de divertimentos que degradam a religião de Jesus Cristo. É impossível que estes que desfrutam das numerosas reuniões sociais e festivas da igreja somente por prazer, tenham um amor ardente e sagrada reverência por Jesus. Suas palavras de alerta e instruções não têm nenhuma repercussão na sua mente. Deveria Cristo vir a essas reuniões que são absorvidas em brincadeiras e divertimentos frívolos, onde a melodia solene de Sua voz fosse ouvida em bênção, dizendo: "Paz seja nesta casa"? Lucas 10:5. Como poderia o Salvador do mundo alegrar-Se com cenas de divertimento e leviandade?
Os cristãos e o mundo unem-se em um coração e espírito nestas ocasiões de festas. O Varão de Dores, que experimentou as angústias, não será bem-vindo nestes lugares de diversão. Os amantes do prazer e da suntuosidade, imprudentes e frívolos, ajuntam-se nos salões e o esplendor e os enfeites da moda são vistos por todos os lados. Os ornamentos das cruzes de ouro e pérola, que representam o Redentor crucificado, adornam as pessoas. Mas Aquele que essas jóias altamente preciosas representam não tem valor e não é bem-vindo nas reuniões. Sua presença seria um constrangimento em suas hilaridades e divertimentos sensuais, lembrando-os do dever negligenciado e trazendo-lhes à lembrança pecados ocultos que Lhe produziram semblante pesaroso e olhos tristes e lacrimosos.
A presença de Cristo seria positivamente dolorosa nesses ambientes de prazer.
Certamente ninguém O convidaria para lá, porque Seu semblante está assinalado por tristeza maior do que a dos filhos dos homens, por causa desses divertimentos que tiram Deus da mente e tornam a estrada atraente para o pecador. Os encantamentos dessas cenas excitantes pervertem a razão e destroem a reverência pelas coisas sagradas. Ministros que professam ser representantes de Cristo, freqüentemente lideram esses divertimentos frívolos. "Vós sois", disse Cristo, "a luz do mundo. ... Assim resplandeça a vossa luz diante dos homens, para que vejam as vossas boas obras e glorifiquem o vosso Pai, que está nos Céus." Matheus 5:14 e 16. De que maneira a luz da verdade brilha daquele que é fútil e só busca o prazer? Os professos seguidores de Cristo que cedem ao divertimento e às festividades não podem ser participantes dos sofrimentos de Cristo. Não têm nenhum senso dos Seus sofrimentos. Não têm interesse em meditar sobre desprendimento e sacrifício. Têm pouco interesse em estudar sobre esses pontos que assinalam a história da vida de Cristo, sobre os quais repousa o plano da salvação, mas imitam o antigo Israel, que comeu, bebeu e levantou-se para divertir-se. A fim de copiar corretamente um modelo, devemos estudar cuidadosamente o seu desenho. Se realmente devemos vencer como Cristo venceu, devemos misturar-nos na companhia dos que são santificados e glorificados diante do trono de Deus. É da mais alta importância que estejamos familiarizados com a vida de nosso Redentor e que neguemos a nós mesmos como fez Cristo. Devemos enfrentar as tentações e transpor obstáculos através de labutas e sofrimentos e, em nome de Jesus, vencer como Ele venceu.

A grande tentação de Jesus no deserto quanto ao apetite visava deixar ao homem um exemplo de desprendimento. Este prolongado jejum tinha em vista convencer os homens quanto à pecaminosidade das coisas às quais o professo cristão cede. A vitória que Cristo ganhou no deserto visava mostrar ao homem a pecaminosidade das coisas em que eles têm tido tanto prazer. A salvação do homem estava na balança, para ser decidida pela tentação de Cristo no deserto. Se Cristo saísse vitorioso sobre o apetite, então haveria a possibilidade do homem, de vencer. Se Satanás ganhasse a vitória através de sua sutileza, o homem estaria escravizado ao poder do apetite, numa cadeia de condescendência sobre a qual não teria poder moral para quebrá-la. Unicamente a natureza humana de Cristo nunca poderia ter suportado este teste, mas Seu poder divino combinado com a natureza humana ganhou a vitória infinita em favor do homem. Nosso representante nesta vitória levantou a humanidade na escala de valor moral diante de Deus.
Os cristãos que compreendem o mistério de piedade, que têm um alto e sagrado senso da expiação, que reconhecem nos sofrimentos de Cristo no deserto uma vitória ganha para eles, verão tão assinalado contraste entre estas coisas e as reuniões da igreja em busca de prazeres e condescendência com o apetite, que se voltariam com desgosto destas cenas de festanças. Os cristãos deveriam fortalecer-se grandemente comparando honesta e freqüentemente sua vida com a verdadeira norma, a vida de Cristo. As numerosas reuniões sociais, festivais e piqueniques que constituem uma tentação ao apetite exagerado e aos divertimentos, os quais levam à leviandade e ao esquecimento de Deus, não podem encontrar sanções no exemplo de Cristo, o Redentor do mundo, o único padrão seguro que o homem deve copiar se deseja vencer como fez Cristo.
Apresentamos a norma infalível para todos os cristãos. Disse Cristo: "Vós sois o sal da terra; e, se o sal for insípido, com que se há de salgar? Para nada mais presta, senão para se lançar fora e ser pisado pelos homens. Vós sois a luz do mundo; não se pode esconder uma cidade edificada sobre um monte; nem se acende a candeia e se coloca debaixo do alqueire, mas, no velador, e dá luz a todos que estão na casa. Assim resplandeça a vossa luz diante dos homens, para que vejam as vossas boas obras e glorifiquem o vosso Pai, que está nos Céus." Matheus 5:13-16.
A luz do Céu deve ser refletida ao mundo através dos seguidores de Cristo. É obra vitalícia dos cristãos dirigir a mente dos pecadores a Deus. A vida do cristão deve despertar no coração dos mundanos uma visão mais elevada da pureza da religião cristã. Isto fará dos crentes o sal da Terra, o poder salvífico no mundo; porque um caráter cristão bem-desenvolvido é harmonioso em todas as suas partes.
Tememos pela juventude de nossos dias por causa do exemplo que lhes é dado por aqueles que professam ser cristãos. Não podemos fechar a porta da tentação à juventude, mas podemos educá-la para que suas palavras e ações possam ter uma influência direta sobre sua felicidade ou miséria futuras. Serão expostos à tentação. Encontrarão inimigos dentro e fora, mas devem ser instruídos a permanecer firmes na sua integridade, tendo princípios morais para resistir à tentação. As lições dadas a nossa juventude por professores cristãos amantes do mundo estão fazendo um grande mal. As reuniões festivas, as glutonarias, as loterias, as cenas mudas e representações teatrais estão fazendo um trabalho que produzirá um registro com seu fardo de resultados para o juízo.
Todas estas inconsistências, sancionadas pelos professos cristãos debaixo de uma roupagem de beneficência cristã, a fim de coletar recursos para pagar despesas da igreja, têm sua influência sobre a juventude, tornando-a amante dos prazeres mais do que amante de Deus. Pensam que se os cristãos podem incentivar estas loterias e interessar-se nelas e em cenas de festividades, e relacioná-las com coisas sagradas, porque eles não estariam certos em interessar-se por loterias e entrar em jogos a fim de ganhar dinheiro para propósitos especiais?
É plano estudado de Satanás vestir o pecado com roupagem de luz para esconder sua deformidade e torná-lo atraente. Pastores e povo que professam a justiça estão se unindo ao adversário de nossa salvação, ajudando-o em seus planos. Nunca houve tempo em que cada membro da igreja devesse sentir sua responsabilidade de andar humilde e prudentemente diante de Deus, como no presente. Filosofias vãs, falsos credos e infidelidade estão aumentando. Muitos dos que tomam o nome de seguidores de Cristo estão, através de um coração orgulhoso, buscando popularidade e se desviando dos marcos estabelecidos. Os claros mandamentos de Deus em Sua Palavra são descartados porque são considerados comuns e ultrapassados, enquanto as teorias vãs e vagas atraem a mente e satisfazem a imaginação. Nesses cenários de festividades na igreja, há uma união com o mundo que a Palavra de Deus não justifica. Cristianismo e mundanismo estão unidos nessas reuniões.

domingo, 15 de maio de 2016

22 (No Deserto da Tentação) Temperança Cristã - Primeira Parte




Deus não dá permissão ao homem para violar as leis de seu ser. Mas o homem, cedendo às tentações de Satanás quanto à condescendência com a intemperança, põe suas mais altas faculdades em sujeição aos apetites e paixões sensuais, e quando isto ganha a ascendência, o homem, que foi criado um pouco menor do que os anjos, com faculdades suscetíveis à mais alta cultura, entrega-se ao controle de Satanás. Este ganha facilmente acesso àquele que está preso ao apetite. Através da intemperança, alguns sacrificam a metade e outros, dois terços do seu poder físico, mental e moral, e tornam-se brinquedos nas mãos do inimigo.
Aqueles que querem ter mente clara para discernir os engodos de Satanás devem ter o apetite físico sob o domínio da razão e da consciência. A ação moral e vigorosa dos altos poderes da mente é essencial ao aperfeiçoamento do caráter cristão; e a força ou a fraqueza da mente tem muito a ver com a nossa atitude e utilidade neste mundo, e com a salvação final. É deplorável a ignorância que tem prevalecido concernente à lei de Deus em nossa natureza física. A intemperança de qualquer espécie é uma violação das leis do nosso ser. A imbecilidade está prevalecendo em uma proporção assustadora. O pecado se torna atraente, revestido por uma luz, e Satanás se alegra muito quando pode reter o mundo cristão em seus hábitos diários, sob a tirania do costume, como os pagãos, permitindo ser governado pelo apetite.
Se homens e mulheres inteligentes tiverem suas faculdades morais entorpecidas pela intemperança de qualquer espécie, estarão, em muitos de seus hábitos, muito pouco acima dos pagãos. Satanás está constantemente atraindo pessoas da luz salvífica para o costume e a moda, sem consideração para com a saúde física, mental e moral. O grande inimigo sabe que se predominarem a paixão e o apetite, a saúde do corpo e a força do intelecto serão sacrificadas no altar da satisfação própria, e o homem acelerará sua ruína.

Se um intelecto erudito segurar suas rédeas, controlando as propensões animalescas e conservando-as em sujeição às faculdades morais, Satanás sabe muito bem que é pequena sua possibilidade de vencer a tentação.
Em nossos dias fala-se da Idade Média e se orgulham do progresso. Com este progresso, porém, impiedade e crime não diminuem. Deploramos a ausência da simplicidade natural e o aumento da tentação artificial. Saúde, força, beleza e longevidade, que eram comuns na chamada "Idade Média" são agora raros. Quase tudo que é desejável sacrifica-se para satisfazer às demandas da vida que segue a moda.
Grande parte do mundo cristão não tem o direito de se chamar cristãos. Seus hábitos, suas extravagâncias e o cuidado do corpo em geral constituem uma violação das leis da saúde e se opõem ao ensino da Bíblia. Estão se preparando no decurso da vida para o sofrimento físico e a fraqueza mental e moral.
Através de seus enganos, Satanás, em muitos casos, tem tornado a vida doméstica cheia de complicações, com o intuito de satisfazer às demandas da moda. Fazendo isto, seu propósito é conservar a mente tão ocupada com as coisas da vida que não possa dar um pouco de atenção ao que é de maior interesse. A intemperança no comer e no vestir tem absorvido tanto a mente do mundo cristão que não tem tempo para se tornar inteligente no tocante às leis da vida, obedecendo-lhes. Professar o nome de Cristo pouco significa se a vida não corresponde à vontade de Deus, revelada em Sua Palavra.
No deserto da tentação Cristo venceu o apetite. O Seu exemplo de abnegação e de domínio próprio quando sofreu a atormentadora ânsia da fome, é uma censura ao mundo cristão por sua dissipação e glutonaria. Gasta-se atualmente nove vezes mais dinheiro na satisfação do apetite, na condescendência com a insensata e danosa luxúria, do que é dado para a divulgação do evangelho de Cristo.
Estivesse Pedro hoje na Terra, exortaria os professos seguidores de Cristo a abster-se da luxúria carnal que guerreia contra a alma. Paulo convocaria as igrejas em geral para purificar-se "de toda imundícia da carne e do espírito, aperfeiçoando a santificação no temor de Deus". II Coríntios 7:1. E Cristo expulsaria do templo aqueles que estão contaminados pelo uso do fumo, poluindo o santuário de Deus com sua respiração poluída. Diria a estes adoradores o que disse aos judeus: "A Minha casa será chamada por todas as nações casa de oração. Mas vós a tendes feito covil de ladrões." Marcos 11:17. Diria a tais pessoas que suas ofertas profanas, expelidas de pedaços de fumo, contaminam o templo e aborrecem a Deus. Seu culto não é aceitável porque o corpo, que deveria ser o templo do Espírito Santo, está contaminado. Você também rouba o tesouro de Deus em milhares de dólares, através da condescendência com o apetite desnaturado.
Se víssemos a norma da virtude e a exaltada piedade, como cristãos, teríamos um trabalho a desenvolver, por nós individualmente, para controlar o apetite, a condescendência que neutraliza a força da verdade e enfraquece o poder moral para resistir e vencer a tentação. Como seguidores de Cristo devemos agir por princípio no comer e no beber. Se obedecêssemos à injunção do apóstolo: "Quer comais, quer bebais ou façais outra qualquer outra coisa, fazei tudo para a glória de Deus" (I Coríntios 10:31), milhares de dólares que agora são sacrificados no altar maléfìco da luxúria afluiriam para o tesouro do Senhor, multiplicando as publicações em diferentes línguas para serem espalhadas como folhas do outono. Missões seriam estabelecidas em outras nações e então os seguidores de Cristo, na verdade, seriam a luz do mundo.
O adversário está trabalhando nestes últimos dias com grande poder, como nunca antes, para conseguir arruinar o homem através da condescendência com o apetite e as paixões. Muitos dos que estão presos sob o poder escravizante do apetite, são professos seguidores de Cristo. Professam adorar a Deus, ao passo que o apetite é o seu deus. Seus desejos desnaturados por estas condescendências, não são controlados pela razão ou juízo. Os que são escravos do fumo, verão a família sofrer as inconveniências da vida e a necessidade de alimento. Contudo, não têm força de vontade para renunciar ao fumo. Os clamores do apetite prevalecem sobre a tendência natural e esta paixão animalesca os domina. A causa do Cristianismo, e mesmo da humanidade, de modo algum seria sustentada se dependesse daqueles que habitualmente usam fumo e bebidas alcoólicas. Se tivessem recursos para usar numa só direção, a tesouraria de Deus não seria reabastecida, mas eles teriam seu fumo e bebidas alcoólicas. A fim de idolatrar o fumo não dirão "não" ao apetite pela causa de Deus.
E impossível que essas pessoas reconheçam as reivindicações e a santidade da lei de Deus, porque seu cérebro e nervos estão amortecidos pelo uso destes narcóticos. Não podem avaliar a preciosidade da expiação e apreciar a vida imortal. A condescendência com a luxúria carnal guerreia contra a alma. O apóstolo dirige-se aos cristãos numa linguagem bem impressiva: "Rogo-vos, pois, irmãos, pela compaixão de Deus, que apresenteis o vosso corpo em sacrifício vivo, santo e agradável a Deus." Romanos 12:1. Se o corpo é saturado pela bebida alcoólica e contaminado pelo fumo, não é santo e aceitável a Deus. Satanás sabe que não pode ser, e justamente por isto leva suas tentações no tocante ao apetite, escravizando-nos nesta propensão e levando-nos à ruína.