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domingo, 20 de abril de 2014

"Não Temais" - Última Parte



                                                         Esperança Renovada 

    Os anjos então explicaram-lhes a respeito da morte e ressurreição de Cristo. Lembraram-nas das palavras que o próprio Cristo havia falado, nas quais havia predito Sua crucifixão e ressurreição. As palavras de Jesus agora faziam sentido e com esperança e coragem renovadas apressaram-se para contar as novas de grande alegria. 

    Maria estivera ausente daquela cena e voltava agora em companhia de Pedro e João. Quando eles retornaram a Jerusalém, ela permaneceu no local da sepultura. Não suportava a idéia de sair dali    sem antes saber o que havia acontecido com o corpo do seu Senhor. Enquanto chorava, ouviu uma voz que lhe disse: 

    "Mulher, por que choras? A quem procuras?" João 20:15. Seus olhos, velados de lágrimas, impediram-na de reconhecer quem lhe falava. Pensou que se tratava do jardineiro e lhe disse em tom de súplica: 

    "Senhor, se tu O tiraste, dize-me onde O puseste, e eu O levarei." João 20:15. 

    Pensava consigo que se o túmulo daquele homem rico era um lugar de demasiada honra para o Seu Senhor, ela mesma providenciaria para Ele uma outra sepultura. Mas naquele momento a voz do próprio Cristo soou aos seus ouvidos: "Maria!" João 20:16. 

    Enxugando depressa as lágrimas, reconheceu diante de si o Salvador. Em sua alegria, esquecendo-se de que Ele havia sido crucificado, estendeu-Lhe as mãos, dizendo: "Raboni (que quer dizer Mestre)!" João 20:16. 

    Jesus, porém lhe disse: "Não me detenhas; porque ainda não subi para Meu Pai, mas vai ter com os Meus irmãos e dize-lhes: Subo para Meu Pai e vosso Pai, para Meu Deus e vosso Deus." João 20:17. 

    O Salvador recusou receber as homenagens de Seus discípulos até que pudesse certificar-Se de que Seu sacrifício havia sido aceito pelo Pai. Subiu às cortes celestiais e do próprio Deus recebeu a garantia de que Seu sacrifício pelos pecados da humanidade fora completo e perfeito para expiar o pecado; e através de Seu sangue, todos podiam ganhar a vida eterna. 

    Todo o poder no Céu e na Terra foi então dado ao Príncipe da vida, e Ele retornou aos Seus discípulos neste mundo pecaminoso, a fim de lhes comunicar Seu poder e Sua glória. 

"Não temais" - Parte 1



                                                      

    Lucas, em seu relato a respeito do sepultamento do Salvador, fala sobre algumas mulheres que O acompanharam em Sua crucifixão dizendo: 

    "Então, se retiraram para preparar aromas e bálsamos. E, no sábado, descansaram, segundo o mandamento." Luc.as 23:56. 

    O Salvador foi enterrado em um sexta-feira, o sexto dia da semana. As mulheres prepararam os ungüentos e as especiarias para embalsamar seu Senhor e as deixaram de lado até que o sábado tivesse passado. Nem mesmo o trabalho de embalsamar o corpo de Jesus quiseram fazer no sábado. 

    "Passado o sábado, Maria Madalena, Maria, mãe de Tiago, e Salomé, compraram aromas para irem embalsamá-Lo. E, muito cedo, no primeiro dia da semana, ao despontar do Sol, foram ao túmulo." Marcos 16:1 e 2. 

    Quando se aproximaram do horto, surpreenderam-se ao ver o céu iluminado com uma claridade tão bela e sentiram a terra tremer sob seus pés. Apressaram-se em direção ao sepulcro e ficaram ainda mais surpresas ao ver que a pedra havia sido removida e nenhum soldado encontrava-se ali. 

 Maria Madalena fora a primeira a chegar. Vendo que a pedra havia sido removida, correu contar aos discípulos. Quando a outra mulher se aproximou, viu uma luz brilhando no sepulcro e olhando lá dentro, notou que estava vazio. 

    Demorando-se um pouco mais ali, de repente viram um jovem, vestido em roupas resplandecentes, sentado perto do túmulo. Era o anjo que havia removido a pedra. Com medo, tentaram fugir, mas ele lhes disse: 

    "Não temais: porque sei que buscais Jesus, que foi crucificado. Ele não está aqui; ressuscitou, como tinha dito. Vinde ver onde Ele jazia. Ide, pois, depressa e dizei aos Seus discípulos que Ele ressuscitou dos mortos e vai adiante de vós para a Galiléia; ali O vereis. É como vos digo!" Matheus 28:5-7. 

    Quando as mulheres olharam novamente para o túmulo, viram outro anjo reluzente, que lhes perguntou: 

    "Por que buscais entre os mortos ao que vive? Ele não está aqui, mas ressuscitou. Lembrai-vos de como vos preveniu, estando ainda na Galiléia, quando disse: Importa que o Filho do Homem seja entregue nas mãos de pecadores, e seja crucificado, e ressuscite no terceiro dia." Lucas 24:5-7. 

Recussitou !!!





A entrada do sepulcro havia sido fechada com uma grande pedra e a máxima segurança e cuidado foram empregados para guardar o túmulo. O selo do império romano fora colocado de tal maneira que a pedra não poderia ser removida sem rompê-lo. 

    Uma escolta de soldados romanos montava guarda ao redor, mantendo estrita vigilância para que o corpo não fosse molestado. Alguns guardas rondavam constantemente enquanto outros descansavam no chão. 

    Havia, porém, outra guarda perto do túmulo. Anjos poderosos, enviados do Céu, estavam ali. Apenas um desses anjos tinha força suficiente para destruir todo o exército romano. 
    A noite que precedeu a manhã do primeiro dia da semana arrastou-se lentamente, e aproximou-se a hora mais escura, antes do romper da alva. 
    Um dos mais poderosos anjos do Céu foi enviado. Seu rosto brilhava como um relâmpago e suas vestes eram brancas como a neve. 
  As trevas fugiam à sua passagem e o Céu inteiro foi iluminado com o brilho de sua glória. 
    Os soldados adormecidos despertaram e colocaram-se em posição de sentido. Com assombro e admiração olharam o céu aberto e a visão resplandecente que deles se aproximava. 
    A terra tremia e arquejava à aproximação do poderoso ser celestial. O anjo veio para cumprir uma missão gloriosa e a velocidade e o poder de seu vôo sacudiram a terra em forte comoção. Soldados, oficiais e sentinelas caíram por terra como mortos. 
    Havia ainda outra guarda presente na entrada do sepulcro formada por espíritos maus. Cristo estava morto e Satanás, como dono do império da morte, exigia para si o corpo sem vida de Jesus. 

    Os anjos de Satanás estavam presentes para se certificar de que nenhum poder poderia arrebatar Jesus de seu domínio. Mas quando o mensageiro poderoso, enviado do trono de Deus, aproximou-se, eles fugiram de terror ante aquela visão. 

    Ressurgindo Vitorioso 

    O anjo rolou a grande pedra que selava o túmulo como se fosse um seixo e com voz poderosa que fez a terra tremer, bradou: 

    "Jesus, Filho de Deus, Teu Pai Te chama!" 

    Então Aquele que conquistara o poder sobre a morte, saiu do sepulcro triunfante e proclamou: "Eu sou a ressurreição e a vida." João 11:25. A hoste de anjos curvou-se em reverente adoração diante do Redentor e o receberam com cânticos de louvor. Ao ressurgir, a terra estremeceu, raios faiscaram e trovões ribombaram. Um terremoto assinalou a hora em que Jesus depôs Sua vida. Um terremoto também testemunhou o momento de Sua triunfante ressurreição. 

    Satanás irou-se grandemente porque seus anjos fugiram à aproximação dos mensageiros celestiais. Ele ousara acalentar a esperança de que Cristo não tornaria à vida e que o plano da salvação fracassaria. Mas quando viu o Salvador sair do túmulo triunfante, perdeu completamente a esperança. Sabia que seu reino teria fim e que finalmente seria destruído. 


sábado, 19 de abril de 2014

No sepulcro de José - Última Parte




                                                   Homenagens Póstumas 

    Oprimidos pela tristeza, os discípulos haviam-se esquecido de que Jesus predissera aqueles acontecimentos. Estavam sem esperança. Nem José, nem Nicodemos haviam aceitado a Jesus como Salvador abertamente enquanto Ele vivia, mas tinham ouvido Seus ensinos e acompanharam bem de perto cada passo de Seu ministério. Embora os discípulos tivessem esquecido as palavras do Salvador acerca de Sua morte, José e Nicodemos lembravam-se muito bem delas. E as cenas ligadas com a morte de Jesus, que desanimaram os discípulos e abalaram sua fé, foram para esses líderes a prova incontestável de que Jesus era o Messias, levando-os a tomar uma posição firme ao Seu lado. 

    O apoio desses homens ricos e honrados era extremamente oportuno naquela ocasião. Eles podiam fazer por seu Mestre morto o que era impossível aos pobres discípulos. 
    Com delicadeza e reverência, removeram da cruz, com suas próprias mãos, o corpo de Cristo. Lágrimas de compaixão fluíam livremente ao contemplarem o corpo ferido e dilacerado do Mestre. 

foi cuidadosamente envolto em um lençol de linho e o Redentor foi levado à sepultura. 
    Embora os príncipes do povo tivessem conseguido a morte de Cristo, não podiam ficar tranqüilos. Conheciam muito bem o Seu grande poder. 

    Alguns deles estiveram presentes no túmulo de Lázaro quando Jesus o chamou de volta à vida e tremiam ao pensar que Cristo poderia ressuscitar dos mortos e aparecer diante deles. 

    Tinham ouvido Jesus dizer à multidão que estava em Seu poder depor Sua vida e reavê-la e lembraram-se de Suas palavras: "Destruí este santuário, e em três dias o reconstruirei." João 2:19. E sabiam que Ele Se referia a Seu próprio corpo. 

    Judas lhes havia dito que em sua última viagem a Jerusalém, Ele teria dito: 
    "Eis que subimos para Jerusalém, e o Filho do Homem será entregue aos principais sacerdotes e aos escribas. Eles O condenarão à morte. E O entregarão aos gentios para ser escarnecido, açoitado e crucificado; mas, ao terceiro dia, ressurgirá." Matheus 20:18 e 19. 

    Recordavam-se agora de muitas coisas que Ele havia dito predizendo Sua ressurreição, e por mais que quisessem não conseguiam se livrar das apreensões. Como seu pai, o diabo, acreditavam e tremiam. 

     Todas as coisas confirmavam que Jesus era o Filho de Deus. À noite, não conseguiam dormir e viviam, agora que Jesus estava morto, mais preocupados com Ele do que quando estava vivo. 

    Decididos a fazer tudo o que pudessem para reter Jesus no túmulo, pediram a Pilatos para selar e guardar o sepulcro até  o terceiro dia. Pilatos enviou uma guarda à disposição dos sacerdotes, e disse: 
    "Aí tendes uma escolta; ide e guardai o sepulcro como bem vos parecer. Indo eles, montaram guarda ao sepulcro, selando a pedra e deixando ali a escolta." Matheus 27:65 e 66. 



No sepucro de José - Parte 1




O Salvador havia sido condenado por crime de conspiração contra o governo romano. Pessoas que eram executadas por esse motivo tinham que ser sepultadas à parte, em um local destinado a tais criminosos. 

    João, o discípulo amado, estremeceu ante a idéia de que o corpo de seu amado Mestre pudesse ser levado pelos insensíveis soldados romanos e sepultado em um lugar de desonra. Mas ele não podia evitar isso e tampouco tinha alguma influência junto a Pilatos.  
    Nesse momento de indecisão, Nicodemos e José de Arimatéia, homens ricos e de influência, vieram para ajudar os discípulos. Ambos eram membros do Sinédrio e conhecidos de Pilatos e decidiram que o Salvador seria sepultado com as devidas honras. 

    José foi à presença de Pilatos e pediu corajosamente o corpo de Jesus. Pilatos, depois de haver se informado de que Jesus estava realmente morto, concedeu-lhe o pedido. 

    Enquanto José foi conversar com Pilatos, Nicodemos fez os preparativos para o sepultamento. Era costume, na época, embalsamar o corpo com ungüentos preciosos e especiarias, e envolvê-lo com lençóis de linho. Assim, Nicodemos trouxe cerca de 50 quilos de um preparado de mirra e aloés, muito caro, para o corpo de Jesus. 


    Nem a pessoa mais honrada de Jerusalém poderia receber maior respeito e honra em sua morte. Os humildes seguidores de Cristo estavam atônitos ao ver o interesse demonstrado por esses príncipes ricos no sepultamento de seu Mestre. 

sexta-feira, 18 de abril de 2014

A Morte de Cristo - Última Parte




    O Sacrifício Legítimo 

    Na hora em que Jesus morreu, alguns sacerdotes estavam ministrando no templo em Jerusalém. Eles sentiram o tremor, e, no mesmo instante, o véu que separava o lugar santo do santíssimo rasgou-se de alto a baixo pela mesma mão misteriosa que escreveu as palavras do juízo no palácio de Belsazar. O lugar santíssimo do santuário terrestre não era mais sagrado. Nunca mais a presença de Deus haveria de cobrir o propiciatório. Jamais o favor ou desfavor de Deus seria manifestado pela luz ou sombra nas pedras preciosas do peitoral do sumo sacerdote. 

    O sangue do sacrifício oferecido no templo havia perdido o valor. Ao morrer, o Cordeiro de Deus havia se tornado o sacrifício pelos pecados do mundo. 

    Quando Cristo morreu na cruz do Calvário, abriu-se um caminho novo e vivo destinado tanto aos judeus quanto aos gentios. Os anjos se alegraram quando o Salvador exclamou: "Está consumado!" João 19:30. O grande plano da redenção havia sido cumprido. Através de uma vida de obediência, os filhos de Adão poderiam finalmente ser exaltados à presença de Deus. Satanás havia sido derrotado e sabia que seu reino estava perdido. 




A Morte de Cristo - Parte 1




Ao entregar Sua preciosa vida, Cristo não teve a alegria do triunfo para animá-Lo. Seu coração encontrava-se oprimido pela angústia e ferido pela tristeza. Mas não era o medo da morte a causa do Seu sofrimento e sim o peso esmagador do pecado do mundo que O separava do amor de Seu Pai. Isso foi o que quebrantou o coração do Salvador a tal ponto que determinou Sua morte antes do tempo previsto. 

    Cristo sentiu a angústia que os pecadores hão de sentir quando tiverem consciência de sua culpa e reconhecerem estar para sempre excluídos da paz e da alegria do Céu. 

    Os anjos contemplam com assombro a intensa agonia do Filho de Deus. Sua angústia mental é tão intensa que quase não sente os sofrimentos da cruz. 

    A própria natureza simpatizou com aquela cena. O Sol que até o meio-dia havia brilhado no firmamento, negou seu brilho de repente; em volta da cruz, tudo ficou mergulhado em trevas, como se fosse a hora mais escura da noite. Essa escuridão sobrenatural durou três horas completas. 

    Um terror indizível se apossou da multidão. As zombarias e imprecações cessaram completamente e homens, mulheres e crianças caíram por terra cheios de pavor. 

    Relâmpagos ocasionais iluminavam a cruz e o Salvador crucificado. Todos julgavam que sua hora de retribuição havia chegado. 

    À hora nona, as trevas se dissiparam de sobre o povo, mas ainda envolvia o Salvador como um manto. Raios flamejantes pareciam arremessar-se sobre Ele, ali pendurado na cruz. Foi então que exclamou em um grito desesperado: 

    "Deus Meu, Deus Meu, por que Me desamparaste?" Matheus 27:46. 

    Nesse ínterim, as trevas haviam baixado sobre Jerusalém e as planícies da Judéia. Todos os olhos se voltaram para a cidade condenada e viram os raios ameaçadores da ira de Deus sendo arrojados contra ela. 

    De repente, a escuridão sobre a cruz se dissipou e com voz clara e poderosa que parecia ressoar por toda a criação, Jesus exclamou: 
    "Está consumado!" João 19:30. "Pai, nas Tuas mãos entrego o Meu espírito!" Lucas 23:46. 


    Uma luz inundou a cruz e o rosto do Salvador tornou-se tão brilhante como o Sol. Depois curvando a cabeça sobre o peito, expirou. 

  Ao entregar Sua preciosa vida, Cristo não teve a alegria do triunfo para animá-Lo. Seu coração encontrava-se oprimido pela angústia e ferido pela tristeza. Mas não era o medo da morte a causa do Seu sofrimento e sim o peso esmagador do pecado do mundo que O separava do amor de Seu Pai. Isso foi o que quebrantou o coração do Salvador a tal ponto que determinou Sua morte antes do tempo previsto. 

    Cristo sentiu a angústia que os pecadores hão de sentir quando tiverem consciência de sua culpa e reconhecerem estar para sempre excluídos da paz e da alegria do Céu. 

    Os anjos contemplam com assombro a intensa agonia do Filho de Deus. Sua angústia mental é tão intensa que quase não sente os sofrimentos da cruz. 

    A própria natureza simpatizou com aquela cena. O Sol que até o meio-dia havia brilhado no firmamento, negou seu brilho de repente; em volta da cruz, tudo ficou mergulhado em trevas, como se fosse a hora mais escura da noite. Essa escuridão sobrenatural durou três horas completas. 

    Um terror indizível se apossou da multidão. As zombarias e imprecações cessaram completamente e homens, mulheres e crianças caíram por terra cheios de pavor. 
    Relâmpagos ocasionais iluminavam a cruz e o Salvador crucificado. Todos julgavam que sua hora de retribuição havia chegado. 

    À hora nona, as trevas se dissiparam de sobre o povo, mas ainda envolvia o Salvador como um manto. Raios flamejantes pareciam arremessar-se sobre Ele, ali pendurado na cruz. Foi então que exclamou em um grito desesperado: 

    "Deus Meu, Deus Meu, por que Me desamparaste?" Matheus 27:46. 

    Nesse ínterim, as trevas haviam baixado sobre Jerusalém e as planícies da Judéia. Todos os olhos se voltaram para a cidade condenada e viram os raios ameaçadores da ira de Deus sendo arrojados contra ela. 

    De repente, a escuridão sobre a cruz se dissipou e com voz clara e poderosa que parecia ressoar por toda a criação, Jesus exclamou: 

    "Está consumado!" João 19:30. "Pai, nas Tuas mãos entrego o Meu espírito!" Lucas 23:46. 
    Uma luz inundou a cruz e o rosto do Salvador tornou-se tão brilhante como o Sol. Depois curvando a cabeça sobre o peito, expirou. 

    A multidão ao redor da cruz ficou paralisada e com a respiração suspensa contemplavam o Salvador. Outra vez, as trevas baixaram sobre a Terra e se ouviu um estrondo como um poderoso trovão acompanhado de um terremoto. 

    As pessoas foram lançadas umas sobre as outras pelo terremoto. Seguiu-se a mais terrível confusão. Nas montanhas vizinhas, as rochas fenderam-se precipitando-se penhasco abaixo.   


 Os túmulos se abriram lançando de si seus mortos. Parecia que toda a Criação estava se partindo aos pedaços. Sacerdotes, príncipes, soldados e o povo, mudos de terror, jaziam prostrados ao solo. 

A Glória do Calvário - Última Parte



O Rei dos Judeus e do Universo 

    Logo depois de pregar Jesus na cruz, homens fortes levantaram o madeiro e o fincaram violentamente no chão. Isso causou um intenso sofrimento ao Filho de Deus. Pilatos escreveu então um letreiro em latim, grego e hebraico, o qual mandou afixar em cima da cruz, para que todos pudessem ler: 

    "Jesus Nazareno, o Rei dos judeus." João 19:19. 
    No entanto, os judeus pediram que Pilatos mudasse a inscrição do letreiro, dizendo: 
    "Não escrevas: Rei dos judeus, e sim que Ele disse: Sou o Rei dos judeus." João 19:21. 
    Mas Pilatos sentia-se descontente consigo mesmo por causa de sua fraqueza e desprezou completamente os príncipes perversos e invejosos, dizendo: 

    "O que escrevi, escrevi." João 19:22. 

  Os soldados dividiram entre si as vestes de Jesus, mas como Sua túnica era sem costura, contenderam por ela e finalmente fizeram um acordo de que deveriam lançar a sorte para ver quem a levaria. O profeta de Deus já havia predito esse incidente nas Escrituras: 

    "Cães Me cercam; uma súcia de malfeitores Me rodeia; traspassaram-Me as mãos e os pés. Repartem entre si as Minhas vestes e sobre a Minha túnica deitam sortes." Salmos 22:16 e 18. 
    Assim que Jesus foi erguido na cruz, desenrolou-se uma terrível cena. Sacerdotes, príncipes do povo e escribas juntaram-se à multidão e irromperam em zombarias e insultos contra o Filho de Deus agonizante, dizendo: 

    "Se Tu és o Rei dos judeus, salva-Te a Ti mesmo." Lucas 23:37. "Salvou os outros, a Si mesmo não pode salvar-Se. É Rei de Israel! Desça da cruz, e creremos nEle. Confiou em Deus; pois venha livrá-Lo agora, se, de fato, Lhe quer bem; porque disse: Sou Filho de Deus." Matheus 27:42 e 43. 

    Cristo poderia ter descido da cruz; mas, se tivesse feito isso, jamais poderíamos ser salvos. Por amor a nós, Ele se dispôs a morrer. 


    "Mas Ele foi traspassado pelas nossas transgressões e moído pelas nossas iniqüidades; o castigo que nos traz a paz estava sobre Ele, e pelas Suas pisaduras fomos sarados." Isaías 53:5.

A Glória do Calvário - Parte 1



                                                   A Glória do Calvário 

    Jesus foi levado ao Calvário apressadamente em meio a zombarias e gritos de insulto da multidão. Ao passar o limiar do tribunal, puseram-Lhe sobre os ombros feridos a cruz destinada a Barrabás. Os dois ladrões que também seriam crucificados com Jesus receberam a sua cruz. 

    O peso do madeiro era mais do que o Salvador podia suportar, em sua exaustão e sofrimento. Andou apenas alguns passos e caiu desmaiado sob o peso da cruz. 
    Quando voltou a Si, a cruz foi outra vez colocada sobre Seus ombros. Cambaleou mais alguns passos e outra vez caiu sem sentidos. Seus algozes viram que Lhe era impossível carregar aquele peso além de suas forças e ficaram perplexos sem saber quem deveria levar aquele fardo humilhante. 

    Naquele momento, vindo casualmente ao encontro deles, apareceu Simão, um cireneu, a quem obrigaram a levar a cruz até o Calvário. 

    Os filhos de Simão eram discípulos de Jesus, mas ele mesmo não tinha aceitado a Cristo como seu Salvador. Mais tarde,    Simão sentiu-se sempre grato pelo privilégio de carregar a cruz do Redentor. O peso que foi obrigado a levar tornou-se um meio para sua conversão. Os eventos do Calvário e as palavras que ouviu Jesus pronunciar levaram-no a aceitá-Lo como o Filho de Deus.  

    Chegando ao lugar da crucifixão, os condenados foram amarrados aos instrumentos de suplício. Os dois ladrões reagiram contra os que tentavam crucificá-los; o Salvador, porém, não ofereceu resistência. 

                                          
                                            Momentos de Angústia 

    A mãe de Jesus O havia seguido naquela terrível jornada até o Calvário. Ao vê-Lo sucumbir exausto ao peso da cruz, seu coração ansiava por prestar-Lhe socorro, mas esse privilégio lhe foi negado. 

    A cada passo daquele caminho tão sofrido, desejava que seu filho manifestasse o poder divino para livrar-se da turba assassina e agora que o drama chegava ao seu ato derradeiro, vendo ela como os ladrões eram pendurados na cruz, que suspense e angústia sentiu na alma! 

    Devia Aquele que havia ressuscitado os mortos entregar-Se para ser crucificado? O Filho de Deus consentiria que Lhe dessem morte tão cruel? Devia ela renunciar à crença de que Ele era de fato o Messias? 

    Ela viu também Suas mãos serem estendidas no madeiro - aquelas mãos que sempre se estenderam para abençoar os sofredores. Trouxeram cravos e martelo e, quando os pregos perfuraram-Lhe as mãos, os discípulos inconsoláveis, levaram o corpo desmaiado de Maria para longe daquela cena cruel. 

    O Salvador não soltou um gemido sequer. De Seu rosto pálido e sereno, o suor corria fartamente. Os discípulos tinham fugido da cena tão pavorosa. "O lagar, Eu o pisei sozinho, e dos povos nenhum homem se achava comigo." Isaías 63:3. 

    Enquanto os soldados faziam sua obra, a mente de Jesus desviou-se de Seus sofrimentos para se concentrar na terrível recompensa que aguardava os Seus perseguidores. Tendo piedade de sua ignorância, orou: "Pai, perdoa-lhes, porque não sabem o que fazem." Luc. 23:34. 

    Assim, Cristo conquistou o direito de tornar-Se o intercessor entre os homens e Deus. Essa oração abrangia o mundo todo, incluindo cada pecador que existiu ou que viria a existir, desde o princípio até a consumação do século. 

    Toda vez que pecamos, Cristo é ferido outra vez. Por nós, Ele ergue as mãos feridas diante do trono do Pai e diz: "Perdoa-lhes, porque não sabem o que fazem." Lucas 23:34. 

quinta-feira, 17 de abril de 2014

Perante Herodes



Perante Herodes

Herodes nunca havia se encontrado com Jesus, mas há muito desejava vê-Lo e testemunhar Seus maravilhosos milagres. Quando o Salvador foi conduzido à sua presença, a turba se agitou, acotovelando-se. Gritavam coisas diferentes produzindo um vozerio confuso. Herodes ordenou silêncio, pois desejava interrogar o prisioneiro.

Comovido e curioso, olhou o rosto pálido de Jesus. Viu nele traços de profunda sabedoria e pureza. Estava convencido, assim como Pilatos, de que somente a maldade e a inveja eram os únicos motivos que levaram os judeus a acusá-Lo.

Compeliu-O então Herodes a operar um de Seus milagres diante dele com a promessa de que o soltaria se assim fizesse. Deu ordens para que viessem pessoas paralíticas e deformadas para que Cristo as curasse. O Salvador, porém, manteve-Se impassível como se nada estivesse ouvindo ou vendo.

O Filho de Deus havia assumido em Si mesmo a natureza humana e cumpria-Lhe agir como homem em idênticas circunstâncias. Entretanto, não operaria um milagre para meramente satisfazer a curiosidade    ou salvar a Si mesmo da dor e humilhação a que homens em situações semelhantes teriam que se sujeitar.

Seus acusadores tremeram quando Herodes pediu-Lhe um milagre. Uma das coisas que mais temiam era a manifestação do poder divino que já tinham presenciado em Cristo. Tal manifestação seria um golpe mortal em seus planos e talvez lhes custasse a própria vida. Por isso, irromperam em gritos, atribuindo os milagres de Jesus ao poder de Belzebu, o príncipe dos demônios.

Coração Endurecido

Alguns anos antes, Herodes ouvira os ensinos de João Batista e ficara profundamente impressionado; contudo, não abandonara sua vida de intemperança e pecado. Seu coração se endureceu mais e mais e, finalmente, em uma noite de orgia e bebedeira, ordenara que João fosse decapitado para agradar a perversa Herodias.

Agora, achava-se mais endurecido ainda. Não pôde suportar o silêncio de Jesus. Uma sombra de ira e paixão pôde ser notada em seu rosto e, exasperado, ameaçou o Salvador que permaneceu imóvel, em silêncio.

Cristo viera ao mundo para curar os sofredores. Pudesse Ele ter dito uma única palavra para curar as feridas das almas enfermas pelo pecado, não teria guardado silêncio. Mas nada tinha a dizer àqueles que pisariam a verdade sob seus pés profanos.
Aquele ouvido que sempre estivera atento aos clamores da miséria humana,  achava-se agora surdo à ordem de Herodes. Aquele coração, que sempre se comovia com o apelo do mais vil dos pecadores, fechou-se ao rei presunçoso que não sentia necessidade de um Salvador.

    Irado, Herodes voltou-se para a multidão e declarou Jesus um impostor. Mas Seus acusadores sabiam que não se tratava de nenhum impostor, posto que haviam presenciado muitos de Seus feitos poderosos. 

    Então o rei começou a insultar e ridicularizar vergonhosamente o Filho de Deus. "Mas Herodes, juntamente com os da sua guarda, tratou-O com desprezo, e, escarnecendo dEle, fê-Lo vestir-Se de um manto aparatoso." Lucas  23:11. 

    Ao notar o perverso rei que Jesus sofria em silêncio todas as injúrias, comoveu-se com um repentino receio de que não tinha diante de si um homem comum. Ficou perplexo com a idéia de que aquele prisioneiro pudesse ser alguma divindade que descera à Terra.  

    Herodes não ousou confirmar a condenação de Jesus. Desejava livrar-se daquela terrível responsabilidade e então enviou-O de volta a Pilatos. 

Peante Pilatos - Parte 2



A Oportunidade de Pilatos 

    Esperando ouvir dEle a verdade, chamou-O para perto de si e perguntou: 
    "És Tu o Rei dos judeus?" João 18:33. 

    Cristo não respondeu diretamente a essa pergunta,  mas devolveu-lhe outra pergunta: 

    "Vem de ti mesmo esta pergunta ou to disseram outros a Meu respeito?" João 18:34. 
    O Espírito de Deus estava operando no coração de Pilatos. A pergunta de Jesus tinha o objetivo de levá-lo a examinar mais profundamente seu coração. Pilatos entendeu o significado da pergunta e seu próprio coração abriu-se ante ele, sentindo a alma agitar-se pela convicção. Nesse momento, porém, um sentimento de orgulho apoderou-se dele, e voltando-se para Jesus, disse-Lhe: 

    "Porventura, sou judeu? A Tua própria gente e os principais sacerdotes é que Te entregaram a mim. Que fizeste?" João 18:35. 

    A grande oportunidade de Pilatos havia passado; contudo, Jesus desejava que o governador compreendesse que Ele não viera para ser um rei da Terra e por isso disse-lhe: 

    "O Meu reino não é deste mundo. Se o Meu reino fosse deste mundo, os Meus ministros se empenhariam por Mim, para que não fosse Eu entregue aos judeus; mas agora o Meu reino não é daqui." João 18:36. 

    "Então, Lhe disse Pilatos: Logo, Tu és Rei? Respondeu Jesus: Tu dizes que sou Rei. Eu para isso nasci e para isso vim ao mundo, a fim de dar testemunho da verdade. Todo aquele que é da verdade ouve a Minha voz." João 18:37. 

    Pilatos tinha desejo de conhecer a verdade. Sua mente estava confusa. Avidamente apanhou as palavras de Cristo e seu coração comoveu-se com o desejo de conhecer e obter a verdade. Então perguntou a Jesus: "Que é a verdade?" João 18:38. 

    Mas não esperou pela resposta. Fora do tribunal, a turba chegou ao máximo da agitação e tumulto. Os sacerdotes clamavam por uma ação imediata e Pilatos teve que voltar-se para os interesses do momento. 

 Dirigindo-se ao povo, declarou: 

    "Eu não acho nEle crime algum." João 18:38. Essas palavras, vindas dos lábios de um juiz gentio, eram uma reprovação esmagadora da perfídia e falsidade dos príncipes de Israel que incriminavam o Salvador. 

    Quando os sacerdotes e anciãos ouviram o juízo de Pilatos, sua decepção e fúria não conheceram limites. Há muito tempo haviam planejado e esperado por essa oportunidade. Quando viram que havia possibilidade de libertação de Jesus, estavam a ponto de dilacerá-Lo. 

Perante Pilatos - Parte 1




  Após ter sido condenado pelos juízes do Sinédrio, Cristo foi levado à presença de Pilatos, governador romano, para que a sentença fosse confirmada e executada. Os sacerdotes judeus não podiam entrar na sala de julgamento de Pilatos. De acordo com as leis cerimoniais, tal ato os tornava imundos e os excluía da participação da festa da Páscoa. 

    Em sua cegueira, não viam que Cristo era o verdadeiro Cordeiro da Páscoa e que ao rejeitá-Lo, a grande festa havia perdido seu significado. 

    Quando Pilatos olhou para Jesus, notou nEle um homem de aspecto nobre e de porte digno. Em Seu semblante não havia nenhuma expressão de delito. Voltando-se para os sacerdotes, perguntou: "Que acusação trazeis contra Este homem?" João 18:29. 

    Seus acusadores, que não desejavam entrar em pormenores, não estavam preparados para essa pergunta. Sabiam que não possuíam nenhuma evidência confiável para que o governador romano condenasse Jesus. Então suscitaram contra Ele falsas testemunhas     que disseram: "Encontramos Este homem pervertendo a nossa nação, vedando pagar tributo a César e afirmando ser Ele o Cristo, o Rei." Lucas 23:2. 

    Isso era mentira pois Cristo havia claramente sancionado o pagamento de tributo a César. Quando os escribas interrogaram-No sobre essa questão, tentando armar-Lhe uma cilada, respondeu: "Daí, pois, a César o que é de César e a Deus o que é de Deus." Matheus 22:21. 

    Pilatos não se deixou enganar pelo depoimento das falsas testemunhas. Voltou-se para o Salvador e perguntou: 

    "És Tu o Rei dos judeus? Respondeu-lhe Jesus: Tu o dizes." Matheus 27:11. 

    Ao ouvirem essa resposta, Caifás e os que o acompanhavam apelaram para o testemunho que o próprio Pilatos acabava de ouvir dos lábios de Jesus, de que Ele era, de fato, culpado do crime de que O acusavam. Em altos brados, pediram Sua condenação à morte. 

    Como Cristo nada respondesse aos seus acusadores, Pilatos Lhe disse: 
    "Nada respondes? Vê quantas acusações Te fazem! Jesus, porém, não respondeu." Marcos 15:4 e 5. 

    Pilatos estava perplexo. Não havia encontrado qualquer indício de crime em Jesus. E não confiava naqueles que O acusavam. O porte nobre e a conduta discreta do Salvador contrastavam diretamente com a exaltação e fúria de seus acusadores. Isso impressionou o governador a ponto de convencê-lo da inocência de Cristo. 

A Tragédia de Judas


  A Tragédia de Judas 

    Há muito os príncipes judeus estavam ansiosos por prender Jesus, mas por receio de provocar um tumulto entre o povo, não ousavam fazê-Lo abertamente. Por isso buscaram alguém que pudesse traí-Lo secretamente e encontraram em Judas, um dos doze discípulos, a pessoa para praticar esse ato vil. 

    Judas tinha naturalmente um forte amor pelo dinheiro mas não era corrupto e vil a ponto de praticar tal ato. Cultivou porém o espírito de avareza até que esse alcançou pleno domínio sobre sua vida, e agora, podia vender o seu Senhor por trinta moedas de prata, o preço de um escravo. Êxodo 21:28-32. Com um beijo traiu o Salvador no Getsêmani. 

    Depois de entregá-Lo, seguiu cada passo do Filho de Deus, desde o jardim até o interrogatório diante dos príncipes do povo. Não acreditava que Jesus consentiria em ser morto por eles conforme O ameaçaram. 
    A cada momento esperava vê-Lo libertado e protegido pelo poder divino, como havia sido no passado. 
  Mas à medida que as horas passavam e Jesus Se submetia pacientemente a todas as injúrias e insultos, um terrível medo apossou-se do traidor levando-o a crer que, de fato, ele havia traído Seu Mestre para ser morto. 

    Remorso Tardio 

    Quando o julgamento terminou, Judas não pôde suportar mais a tortura de uma consciência culpada. De repente, uma voz rouca ecoou no recinto provocando um calafrio de terror em todos os presentes: 

    Ele é inocente. Poupa-O, Caifás. Nada fez para merecer a morte! (Matheus 27:3 e 4.) 

    A figura alta de Judas foi vista abrindo caminho pelo meio da multidão chocada. Seu rosto estava pálido e desfigurado e grandes gotas de suor caíam-lhe da fronte. Avançando até o trono do julgamento, atirou aos pés do sumo sacerdote as trinta peças de prata, o preço da traição. Agarrou ansiosamente as vestes de Caifás e implorou-lhe que libertasse Jesus, pois nEle não havia nenhum crime. Caifás, porém, repeliu-o, dizendo: "Que nos importa? Isso é contigo." Matheus 27:4. 

    Judas então lançou-se aos pés do Salvador. Confessou que Jesus era o Filho de Deus e implorou-Lhe que livrasse a Si mesmo de Seus inimigos. Jesus sabia que Judas não havia se arrependido verdadeiramente do seu ato. O falso discípulo temia a punição pelo que havia feito, mas não sentiu genuína tristeza por ter entregado o imaculado Filho de Deus. 


    Mesmo assim, Jesus não lhe dirigiu nenhuma palavra de condenação. Olhou-o com piedade e disse: "Para isso nasci e para isso vim ao mundo." João 18:37.